Rogério Corrêa fala sobre a importância do lado mental no futebol: “Pressão absurda”
   13 de janeiro de 2024   │     9:00  │  0

 

Rogério Corrêa, técnico do CSA, diz que não é simples gerenciar um grupo — Foto: Denison Roma/Ge

Rogério Corrêa, técnico do CSA, diz que não é simples gerenciar um grupo — (Foto: Denison Roma/Ge)

Treinador diz ainda que gerenciar um elenco é a parte mais complexa de seu trabalho.

Técnico do CSA, Rogério Corrêa visitou a redação do ge na semana passada, e comentou sobre vários temas. Um deles foi a importância de se fazer um trabalho mental com atletas e integrantes da comissão técnica. Para ele, o lado psicológico é fundamental para o sucesso de qualquer equipe hoje no futebol.

No CSA, especificamente, Rogério disse que se preocupa com essa situação e também recebe apoio dos dirigentes de futebol, Marlon Araújo e Alarcon Pacheco.

– A psicologia dentro do futebol é muito importante. Futebol é muito mental, muito de imposição, e as pessoas são carentes e sofrem uma pressão absurda. Muitos de nós estamos aqui sozinhos, longe da família, longe do lar. Nós passamos por emoções boas e ruins e, quando voltamos para casa, estamos sozinhos – contou Rogério, e prosseguiu:

– Nas ruas, todos te cobram. Quando você não está bem, as pessoas querem te bater porque você não tá exercendo seu trabalho bem e, de certa forma, está atrapalhando até o trabalho delas. E tudo isso é muito mental. Quando está na fase boa, você é o melhor do mundo, todo mundo fica dando tapinha nas costas, e isso também é muito ruim.

“O lado mental é de uma exigência constante no futebol, e nós precisamos desse apoio, dessa força psicológica, precisamos receber uma palavra de conforto ou uma palavra importante, que todos também precisam ouvir”.

O CSA não tem hoje, no entanto, um profissional específico de psicologia, mas Rogério disse que, de forma particular, faz terapia. E isso lhe ajuda muito a desenvolver suas atividades no esporte de alto rendimento.

– Não temos uma psicóloga aqui no clube, mas eu tenho uma psicóloga. Desde o ano passado, quando perdemos do Fluminense (no Carioca) e do Bahia, na Copa do Brasil, e depois perdemos três jogos na Série C, foram seis derrotas seguidas, o que nunca tinha acontecido na minha vida… Ali, eu me senti mais vulnerável e iniciei meu processo com uma psicóloga – lembrou Rogério, e continuou:

– E eu me reergui, ganhei mais confiança para trabalhar e o Volta Redonda ficou 12 jogos invicto na Série C. Saiu de penúltimo colocado para ocupar a liderança momentaneamente, por uma rodada. Com certeza, isso ajudou demais. Eu não tinha essa visão tão ampla sobre a psicologia no futebol e na vida das pessoas mesmo. E vi que isso fez uma mudança grande para mim.

A pior parte

O treinador também disse a parte de gerenciamento do elenco é bem mais complicada do que o trabalho tático, de campo.

– Essa é a pior parte realmente. Muito à frente do que os problemas de estrutura do jogo. Administrar o dia a dia. Você não pode tentar agradar alguém, tem que ser leal aos seus princípios, ser leal ao que você pensa e, quem sair da linha, que saia do processo. Se você quiser agradar, termina se perdendo, porque você acaba não conseguindo manter sua palavra. Eu prezo muito é conduta, é caráter, é olho no olho. Qualquer problema, o atleta pode vir para gente conversar. Essa parte é a mais difícil. Você agrada, 11, 15, 18 jogadores, mas não agrada todo mundo. Os anseios de cada um são diferentes – opinou o treinador, e acrescentou:

– E tem família, empresários, que por muitas vezes são bons, outros não. Esses vão proteger os atletas e cobrar do diretor e do presidente. “Ah, não está botando meu jogador para jogar”. O treinador é o cara que mais quer vencer. Não tem um azulino de nascença que queira vencer mais do que eu. Pode querer igual. Mas a minha vida que está aqui, longe do convívio da família, para trabalhar aqui e dar o meu melhor. Por isso que eu digo que a pior parte para o treinador é essa de gestão de grupo.

Arivaldo Maia com Victor Mélo – Redação do ge – Alagoas