Ídolo do Fluminense, Castilho desbravou a Arábia Saudita antes das estrelas e dos bilhões
   24 de dezembro de 2023   │     12:00  │  0

Painel de Carlos Castilho feito pelo artista Marcelo Ment no CT do Fluminense — Foto: Reprodução / Instagram

Painel de Carlos Castilho feito pelo artista Marcelo Ment no CT do Fluminense — (Foto: Reprodução / Instagram)

Último trabalho do jogador que mais atuou com a camisa tricolor foi como técnico da seleção saudita.

A ligação do Fluminense com a Arábia Saudita não está apenas no Mundial de Clubes. Um dos principais ídolos do clube trabalhou pela última vez como técnico do país do Oriente Médio. Carlos Castilho é o jogador com mais partidas na história do Fluminense e foi técnico de diversos times depois da aposentadoria dos campos. A primeira experiência com uma seleção foi na Arábia, mas também a última.

Estrela de um tempo em que o futebol ainda não pagava os altos valores dos dias atuais, Castilho aceitou o convite inesperado de trabalhar na seleção saudita por causa do desafio profissional de treinar um país e também levando em consideração o aspecto financeiro. A realidade era diferente dos bilhões de reais investidos hoje, mas os petrodólares já brilhavam os olhos naquela época.

Até chegar à Arábia, o ex-goleiro tinha uma carreira de 20 anos como técnico de clubes brasileiros. Bicampeão paraense com o Paysandu, onde se aposentou e virou treinador em seguida, ele também venceu o Campeonato Paulista de 1984 com o Santos e terminou em terceiro no Brasileirão de 1977 com o Operário-MS.

Mas se as diferenças entre Brasil e Arábia Saudita ainda são grandes hoje em dia, há quase 40 anos isso parecia mais acentuado. Na época ainda não era tão comum que o país recebesse tantos estrangeiros. Para Carlos Roberto, filho mais novo de Castilho, a discrepância entre os países pode estar relacionado com a morte do pai, que pulou do sétimo andar do prédio da ex-esposa.

– Ele entrou num quadro de depressão bastante forte e acho que se encontrou em um dilema muito forte na cabeça dele de ter a obrigação profissional de voltar para lá. Ao mesmo tempo acho que ele não queria e entrou em um conflito interno enorme. Teve, sim, uma influência bastante grande nesse período.

A comunicação com quem estava no Brasil era difícil. A forma que Castilho tinha para minimizar a saudade era por carta ou telefonemas internacionais bem mais caros do que uma simples chamada de vídeo dos dias atuais. Mas falar com quem estava na Arábia também não era fácil.

Por mais que tivesse um intérprete junto com ele, não era tão simples passar uma instrução ou conversar com alguém na rua em inglês.

Por mais que tenha conquistado três campeonatos estaduais e feito a memorável campanha pelo time sul-mato-grossense no Brasileiro de 77, Castilho nunca treinou um time do Estado do Rio de Janeiro. Ele dizia não sentir incômodo com a situação, mas também não relatava ter o sonho de treinar o clube que o levou para quatro Copas do Mundo.

Convocado para as Copas de 1950, 1954, 1958 e 1962, Castilho tem um vice e dois títulos da competição mais importante do planeta. Há também quem o considere tricampeão mundial, já que era o goleiro titular do Fluminense na Copa Rio de 1952. Para Carlos Roberto, a discussão de a conquista ser considerada título mundial ou não é pequena perto da importância que a vitoriosa campanha teve para o futebol brasileiro.

Castilho é o recordista de jogos pelo Fluminense com 698 partidas disputadas. No busto dele nas Laranjeiras, a representatividade maior que ele poderia dar ao clube.

Castilho, ídolo do Fluminense, como técnico — Foto: Arquivo pessoal

Castilho, ídolo do Fluminense, como técnico — (Foto: Arquivo pessoal)

Arivaldo Maia com Davi Barros – Redação do ge – Rio de Janeiro