Eleição divide Conselho e pode criar obstáculo para novo presidente governar o Corinthians
   27 de novembro de 2023   │     22:00  │  0

Augusto Melo comemora vitória na eleição no Corinthians — Foto: José Manoel Idalgo

Augusto Melo comemora vitória na eleição no Corinthians —( Foto: José Manoel Idalgo)

Metade dos 200 conselheiros trienais eleitos apoiou Augusto Melo, mas os outros 50% estiveram ao lado do candidato derrotado André Negão; grupo tem apenas 6% de mulheres.

O mandato de Augusto Melo como presidente do Corinthians, entre 2024 e 2026, deve ter um Conselho Deliberativo dividido. Dos 200 conselheiros eleitos no último sábado, metade apoiou o próximo presidente, mas a outra metade estava com o adversário André Negão.

Quem deve fazer a diferença são os conselheiros vitalícios, que têm mandato garantido e não precisam ser eleitos via votação. Atualmente há 104 deles no Conselho, o que corresponde a mais de um terço do total.

A composição tem importância porque é o Conselho quem aprova as contas do clube e os contratos como o acordo com a Caixa para a quitação da dívida da Neo Química Arena, por exemplo. Quanto mais apoio Augusto Melo tiver no órgão, mas tranquilidade ele tem para administrar o clube.

O número de votos necessários para a eleição no Conselho praticamente dobrou desde a última eleição, pois a quantidade de sócios aptos a votar também aumentou. Cada chapa eleita tem 25 cadeiras no Conselho.

Neste ano a chapa mais votada foi a “Preto no Branco”, que recebeu 452 votos. Já a “Renovação e Transparência”, liderada por Andrés Sanchez, foi eleita no oitavo lugar com 279, apenas sete a mais do que a primeira suplente – a “Liberdade Corinthiana”, do Craque Neto e cia.

Poucas mulheres

A falta de diversidade segue sendo um problema no clube. Em campo o Corinthians tem um time feminino em fase de graça, mas na política há apenas 6% de mulheres na composição do Conselho Deliberativo eleito. São doze em 200 vagas, apenas três eleitas a mais do que no atual mandato. No total, contanto as vitalícias, há apenas 15 mulheres entre 289 homens no órgão.

Seis das chapas eleitas têm mulheres, sendo a “Preto no Branco” a com a maior representatividade: são quatro entre os 25 membros. Duas chapas eleitas não têm mulheres, sendo uma delas a “Salve o Corinthians”, do presidente eleito Augusto Melo.

Arivaldo Maia com Arthur Sandes e Bruno Cassucci – Redação do ge – São Paulo