Análise: Tite dá novo xeque-mate com o Coringa em vitória do Flamengo
   24 de outubro de 2023   │     12:00  │  0

Gerson marca e derruba o Vasco em vitória do Flamengo — Foto: Paula Reis/Flamengo

Gerson marca e derruba o Vasco em vitória do Flamengo — (Foto: Paula Reis/Flamengo)

O roteiro da estreia se repete, e dois minutos após ser deslocado para a esquerda, Gerson participa de jogada coletiva com passe, movimentação importante e gol.

No xadrez de Tite, rei, rainha, cavalo ou torre não decidem. O Coringa é a peça que desarticula os adversários do Flamengo desde a chegada do gaúcho. Bastou mexê-lo de lado para o Rubro-Negro ser letal e vencer o Clássico dos Milhões por 1 a 0.

Mexida surte efeito em menos de dois minutos

Contra o Cruzeiro (2×0), na estreia do treinador, o Flamengo era inferior ao adversário e começou a dominar as ações justamente quando Gerson deixou a esquerda do quadrado de meio-campo e foi para o outro lado. Tornou-se o dono do time, e o Rubro-Negro definiu a parada em cinco minutos.

Diante do Vasco, o caminho foi inverso. Aos 28 minutos da etapa final, Luiz Araújo substituiu Bruno Henrique e entrou pelo lado direito. Com isso, Gerson foi deslocado para a esquerda. O efeito foi imediato e decisivo.

Aos 29 minutos e 22 segundos, o Flamengo deu 24 toques e chegou ao gol da vitória em 40 segundos, com a participação de oito jogadores com a bola. Gerson foi protagonista na jogada.

Depois de Fabrício Bruno e Léo Pereira trocarem passes fazendo o Vasco balançar de um lado para o outro, Gerson recebeu de costas na linha lateral e se livrou do bote de Paulo Henrique com movimentos rápidos e dois toques na bola. Achou Thiago Maia, que esticou para Gabigol cruzar. Léo Pelé cortou, e o Coringa chegou na corrida para bater com força e derrubar o rival.

Gerson ficaria somente mais oito minutos em campo, mas também não precisava de mais tempo. Fizera o que dele se esperava como um “externo desequilibrante”.

Se Gerson foi pela segunda vez a figura de destaque, outra situação que se repetiu foi o início morno do Flamengo. Num início de muitas disputas e pouca bola no chão, o Vasco foi melhor. Aos 20 minutos de jogo, chegou a fazer 5 a 0 no placar de finalizações – Vegetti e Gabriel Pec pararam no excelente goleiro argentino Rossi, nas melhores oportunidades.

É importante destacar também a entrada de Luiz Araújo. Veloz, dinâmico e driblador, gerou muito desconforto para o Vasco quando o Flamengo saiu do quadrado de meio-campo para um losango.

Everton Cebolinha e Éverton Ribeiro tiveram pouco tempo para dar respostas ao substituírem Arrascaeta e Gerson. O primeiro, porém, não tomou boas decisões pela esquerda. Há muita expectativa de que Tite, seu treinador na conquista da Copa América de 2019, possa recuperá-lo, mas as primeiras partidas ainda estão bastante aquém do jogador que foi protagonista no Grêmio.

Como contra o Cruzeiro, o Flamengo não foi brilhante, mas mostrou mais uma vez capacidade para se reinventar e se adaptar aos diferentes jogos que se desenharam dentro do próprio jogo com o Vasco.

Tite parece determinado a fazer esse Flamengo jogar bola. Basta reparar que até nos aquecimentos ele trabalha inúmeras situações de jogo. O time já tem variação de jogo. O passe longo começa a aparecer, a bola aérea funciona, e a equipe sofre metamorfoses durante as partidas sem quedas bruscas de nível. Há oscilação, mas os rubro-negros nunca são amassados.

O objetivo é vaga na Libertadores, mas os nove pontos que separam o – renovado e letal.

– Flamengo do Botafogo permitem ao torcedor rubro-negro sonhar com um título que se mostrava impossível com as mãos de Sampaoli. É muito difícil e improvável, mas agora, com bom futebol e ânimo transformado, há espaço para esperança, sim.

Arivaldo Maia com Fred Gomes – Redação do ge – Rio de Janeiro