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Com agrados como mensalinho e viagens, CBF e federações formam parceria no poder
   18 de maio de 2018   │     0:03  │  0

Em abril de 2014, Marco Polo Del Nero foi eleito presidente da CBF, para assumir um ano depois, com votos de 26 das 27 federações estaduais. No mês passado, Rogério Caboclo foi eleito presidente da CBF, a partir de abril de 2019, com votos das 27 federações. Isso porque, o presidente da Federação Gaúcha, Francisco Novelletto, que se abstivera no pleito anterior, desta vez votou no candidato único. Desde 1989 tem sido assim. O indicado da situação é eleito, ou reeleito, com apoio maciço dos presidentes de federações estaduais.

Esse apoio não é de graça. A CBF trata os presidentes de federações com muitos mimos. Convites para chefiar delegações da seleção em amistosos e torneios oficiais, criação de competições regionais e mesadas. Este ano, eles terão um “bônus”: a ida à Copa do Mundo da Rússia, com todas as despesas pagas.

O “voo da alegria” levará os presidentes de federações – e de 10 clubes das séries A e B, definidos por sorteio – para assistir aos jogos do Brasil na primeira fase. Os convites foram feitos em fevereiro, mas a CBF nega que tiveram cunho eleitoral em favorecimento a Rogério Caboclo. Alega a entidade que a viagem tem como objetivo o aprimoramento dos dirigentes em nível administrativo.

Questionada pelo Estado sobre o tema, a entidade enviou na última sexta-feira a mesma nota divulgada em 26 de fevereiro em que diz entender que “a presença das federações é algo natural e importante por tratar do maior evento de futebol do mundo”. Lembra a entidade que os dirigentes são responsáveis por administrar competições regionais e que não irão à Rússia a passeio. “Além dos jogos da seleção, está sendo preparada uma agenda de trabalho para os dirigentes, com reuniões institucionais e atividades de acompanhamento da organização do evento”.

Na prática, seja ano de Copa do Mundo ou não, os dirigentes de federações ajudam a CBF a manter quem quer no poder e são ajudados a permanecer no comando em seus Estados. Assim, alguns praticamente se eternizam. É o caso de Francisco Cezário, que preside a Federação do Mato Grosso desde 1988 e no último dia 30 foi eleito para mais quatro – mandato que começa apenas em abril de 2019. É um dos cartolas que estão há 20 ou mais anos no poder. Mas está longe do campeão Zeca Xaud, há 44 anos à frente do futebol de Roraima. Ele tem 73 anos e tornou-se presidente aos 29.

Incentivo à longevidade não falta. Um deles é o “mensalinho”, pelo qual são repassados às entidades estaduais R$ 75 mil a cada 30 dias, por meio do Programa de Assistência às Federações (PAF), além de outros R$ 25 mil destinados diretamente aos presidentes.

Criada por Ricardo Teixeira em 1993, a mesada, que na época era de R$ 8 mil, é considerada essencial pelas federações menores, que praticamente não têm receita advindas de competições e patrocínios. Os presidentes alegam que o dinheiro ajuda a financiar campeonatos de todas as categorias, torneios femininos e pagamento de arbitragem, entre outras despesas.

Os dirigentes estaduais, mesmo as mais ricas, defendem as benesses. “O PAF é justo e correto. As federações são as representantes da CBF em seus Estados”, disse o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos. “Tem sua importância porque promovemos campeonatos de base, femininos e temos ações sociais. Mas o maior patrocinador do meu futebol são as empresas privadas”, disse José Vanildo da Silva, presidente da federação do Rio Grande do Norte.

Sobre o continuísmo, Vanildo, no poder desde 2007 (nos dois primeiros anos, completou como vice o mandato de Alexandre Cavalcanti), ele lembra que a lei que regulamentou Profut vai acabar com a farra. A partir dos próximos mandatos – a maioria começará em 2019 – só será permitida uma reeleição.

Francisco Novelletto, o presidente da Federação Gaúcha, é mais radical. “Eu sou suspeito em falar, mas o cara quando é bom tem de ficar 200 anos”, disse. Ele está a 14 anos na presidência e garante que sairá ao fim do mandato, em 2019. “Podia me candidatar de novo, mas não quero”. No próximo ano, ele assumirá uma das vice-presidências da CBF.

A reportagem tentou contato telefônico com Zeca Xaud, o presidente da federação de Roraima, e Antônio Aquiino Lopes, há 34 anos à frente da Federação Acreana, sem sucesso.

ESTADÃO conteúdo

CBF tira perfil de Del Nero, banido pela Fifa
   2 de maio de 2018   │     21:14  │  0

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Após a Fifa anunciar que Marco Polo Del Nero, (foto acima/BBC), está banido do futebol, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) continuava identificando o dirigente como seu presidente em seu site oficial até o fim da tarde de hoje.

Procurada, a CBF aguardava o parecer do seu departamento jurídico a respeito da decisão da Comissão de Ética da FIFA para adotar os procedimentos, visto que a decisão é de primeira instância e cabe recurso

A Fifa ainda não mandou nenhuma comunicação oficial dos procedimentos a serem adotados pela CBF. A entidade retirou o nome de Del Nero por volta das 17h desta quarta, após a Folha questionar a respeito.

O dirigente ainda tinha seu nome exibido no site como presidente da CBF. Também seguia no ar uma página com o perfil de Del Nero, publicada no dia 22 de abril de 2015, poucos dias após ele tomar posse na entidade, no dia 16. O perfil também foi excluído no fim da tarde desta quarta.

O nome de Del Nero estava na página que lista a diretoria da CBF, colocado como presidente. Ali, também aparecia Antonio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes, como presidente em exercício da entidade. Após a procura da Folha, o nome de Nunes passou a ser identificado apenas como presidente.

O recém-eleito presidente Rogério Caboclo é citado na área da diretoria como diretor executivo de gestão da CBF.

Blog com FOLHA DE SÃO PAULO

Nova regra ‘turbina’ ganho de agentes em transferências de jogadores no futebol
   1 de maio de 2018   │     0:02  │  0

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) registrou que, de abril de 2017 a março deste ano, mais de R$ 35,3 milhões em comissões foram parar na mãos de agentes de futebol por transações feitas no mercado nacional. Trata-se de um aumento de 46,52% em relação ao período anterior, quando as negociações movimentaram R$ 24,1 milhões. O que também vem aumentando é o número de profissionais envolvidos nesta ponte entre atletas, treinadores e clubes: os 330 intermediários cadastrados em 2016 se transformaram em 513 até a semana passada – a lista é atualizada constantemente.

Os números acima fazem parte de relatórios que a CBF precisa entregar à Fifa anualmente. A norma integra a lista de medidas que a Federação Internacional adotou em 2015, quando passou a proibir que terceiros dividissem com jogadores e times fatias sobre os direitos econômicos do atleta. Em tese, a ideia era diminuir o poder dos agentes, que ganhavam muito dinheiro com transferências, fortalecer os clubes e tornar o sistema mais transparente, já que várias dessas negociações aconteciam por fora, às margens do mercado.

O problema foi que, na prática, quase nada mudou no cenário das transações. Em vez de ganhar na porcentagem sobre o jogador, o empresário passou a faturar com comissões. “Pra quem era apenas agente e não investidor, não mudou praticamente nada. Mas se ontem eram feitos 10 negócios por ano, hoje são mil. Hoje, o grande agente tem poucos jogadores de ponta, porém muitos contatos em clubes na Europa, os compradores. E os pequenos agentes, como não têm esse nível de contato, sempre necessitam dos grandes”, disse Giuseppe Dioguardi, o Pepinho, no ramo há mais de 15 anos.

O agente pode ser contratado por um clube para trazer ou vender um atleta e/ou treinador, ou por estes para negociá-lo. Cada parte pode escolher um ou mais intermediários para viabilizar a transação. E um mesmo agente pode receber comissão de todos os lados interessados. Além de não reduzir o poder financeiro de terceiros, a regulamentação da Fifa também falhou na tentativa de tornar o mercado mais transparente.

Para se ter uma ideia, os dados do primeiro parágrafo foram computados pela CBF com base no que os próprios empresários informaram. Estes têm 30 dias para entregar um formulário com o valor e a natureza do serviço em via assinada pelas três partes: clube, agente e jogador. Aos clubes, cabe apenas avisar à Confederação se a transação teve ou não intermédio de alguém, sem especificar quanto foi desembolsado.

Pegue-se o número do último período, por exemplo. Os mais de R$ 35,3 milhões até poderiam parecer elevados, se não estivessem diluídos entre 732 operações informadas pelos agentes. Ou seja, seria como se cada transação feita tivesse custado pouco mais de R$ 48,3 mil. Em um mercado milionário no qual se costuma cobrar 10% de comissão sobre o valor bruto do negócio, beira a ingenuidade achar que as transações não giraram muito mais grana.

“Já recebi muitos empresários dizendo que não receberam nada, mas participaram da operação. Será mesmo? Quer dizer que você tem só 10%, 20% de transações em que recebe dinheiro? E o resto, faz de graça?”, questionou Reynaldo Buzzoni, diretor de registros e transferências da CBF.

Há exemplos gritantes de discrepância. No último relatório entregue por Reynaldo Buzzoni à Fifa, consta que simplesmente nenhum agente recebeu dinheiro em tratativas com o Flamengo. Zero. Já de acordo com o balancete de 2017 do clube carioca, nada menos do que R$ 17,7 milhões aparecem no item “custos de comissão”.

“Os agentes são sempre a ovelha negra, o patinho feio do negócio. O bom agente faz o futebol andar, cria oportunidades para o seu cliente. Não há por que fugir do sistema da CBF. Quem não declara na hora é o clube”, reclamou André Cury, agente que intermediou a ida de Neymar para o Barcelona.

ESTADÃO conteúdo

Fifa bane o brasileiro Marco Polo Del Nero do futebol
   28 de abril de 2018   │     0:55  │  1

Marco Polo Del Nero em evento da CBF no Rio de Janeiro
O ex-presidente Marco Polo Del Nero em evento da CBF no Rio de Janeiro (Foto: Sergio Moraes/Folhapress)

 

A Fifa anunciou o banimento do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

O comunicado foi feito na manhã de ontem pela entidade que controla o futebol no planeta.

É a primeira vez na história que um presidente da CBF é punido com a pena máxima pela Fifa.

Segundo o comunicado da entidade, a Câmara de Arbitragem do Comitê de Ética considerou Del Nero culpado por suborno e corrupção, oferecer e aceitar presentes e outros benefícios e conflito de interesse.

Além da punição, o cartola terá que pagar uma multa de 1 milhão de francos suíços (cerca de R$ 3,5 milhões).

Desde dezembro, Del Nero estava afastado do cargo pelas acusações de corrupção feitas na Justiça dos EUA.

O cartola foi denunciado por participar de um esquema de recebimento de propina com cartolas da América do Sul na venda de direitos de torneios no país e na América do Sul.

A partir de agora, a CBF será comandada pelo paraense Antônio Carlos Nunes, o coronel Nunes.

No último dia 17, o diretor Executivo de Gestão da CBF, Rogério Caboclo, 45, foi eleito para substituí-lo a partir de abril de 2019. Caboclo é homem de confiança de Del Nero desde a federação paulista.

Nunes e Caboclo sempre rasgam elogios ao cartola banido pela Fifa.

Ao vencer a eleição, por quase unanimidade, na semana passada, Caboclo agradeceu o apoio de seu padrinho político.

Dos 67 eleitores, apenas Flamengo, Corinthians e Atlético-PR não votaram no dirigente apoiado por Del Nero.

No xadrez eleitoral da CBF, o dinheiro acabou ajudando a permanência do grupo político do cartola. A CBF repassa R$ 75 mil mensais às 27 federações e paga R$ 20 mil por mês a cada presidente.

O colégio eleitoral da CBF é formado pelas 27 federações e 40 clubes das Série A e B.

Mas as federações são maioria por causa do sistema de peso dos votos.

Na última quinta-feira (26), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República e enviou uma investigação sobre a cúpula da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para a Justiça Federal no Rio de Janeiro.

O inquérito apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica, entre outros, supostamente cometidos por Del Nero, Teixeira e Marin.

Blog com FOLHA DE SÃO PAULO

 

 

Candidato único na eleição, Rogério Caboclo é eleito presidente da CBF
   18 de abril de 2018   │     0:03  │  0

  Candidato único na eleição, Rogério Caboclo é eleito presidente da CBF

Rogério Caboclo, (foto acima/Globoesporte), foi eleito na tarde de ontem o 20º presidente da história da CBF. Escolhido por Marco Polo del Nero, o dirigente de 45 anos recebeu 135 votos dos 141 possíveis. Ele vai comandar a entidade máxima do futebol brasileiro por quatro anos, entre abril de 2019 e abril de 2023. O calendário eleitoral da CBF tem esta particularidade: o escolhido sempre assume um ano depois de ter sido eleito.

Todas as 27 federações votaram a favor de Rogério Caboclo. Dos 20 times da Série A, o presidente do Corinthians, Andres Sanches, votou em branco, o representante do Flamengo se absteve e o Atlético-PR não enviou representantes.

Atual diretor-executivo da entidade, Caboclo acumula a chefia do Comitê Organizador Local (COL) da Copa América de 2019, a ser organizada pelo Brasil. O futuro presidente também será o chefe de delegação da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia.

Esta foi a primeira eleição na CBF desde a alteração do estatuto ocorrida em março do ano passado, que concentrou ainda mais poder nas federações estaduais. Além de Caboclo, foram eleitos oito vice-presidentes – até esta eleição, eram escolhidos cinco vices.

Os oito são: Fernando Sarney (Maranhão), Gustavo Feijó (Alagoas), Marcus Vicente (Espírito Santo), Antonio Carlos Nunes (Pará), que já eram vice-presidentes, e agora terão a companhia de Francisco Noveletto (Rio Grande do Sul), Ednaldo Rodrigues (Bahia), Castellar Guimarães (Minas Gerais) e Antonio Aquino Lopes (Acre).

Para ser candidato a presidente da CBF é preciso ter o apoio declarado de oito das 27 federações estaduais e de pelo menos cinco dos clubes. Isso não faltou a Caboclo: 25 federações (todas menos SP e RJ) endossaram sua candidatura, assim como 37 dos 40 clubes das Séries A e B (todos menos Atlético-PR, Corinthians e Flamengo).

Blog com Globoesporte