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Arivaldo Maia

Ex-jogador do Fla exalta Jorge Jesus e o seu sucesso
   31 de março de 2020   │     22:30  │  0

Moisés explicou em entrevista exclusiva à ESPN algumas das principais ideias do “mister”.

Amor pelo Brasil

“Jesus acompanha os jogos do Brasileiro há muito tempo e conhece alguns jogadores que muitas vezes nós não conhecemos. Eu vi alguns programas de televisão dizendo que ele não conhecia o futebol brasileiro. De repente, ele conhecia mais os jogadores brasileiros do que muitos que estão por aqui. O sucesso dele não me surpreende. Eu estava curioso para ver como seria a adaptação dele à cultura do futebol brasileiro e ao nosso calendário cheio de jogos.”

“Quando ele chegou ao Braga foram contratados uns dez brasileiros. Naquele momento, o time subiu um degrau em termos de respeito dos adversários. A espinha dorsal ficou muito tempo, e depois chegou à Champions League e brigou pelo título português e da Liga Europa. Eu me dei superbem com Jesus. Ele fica nervoso no banco de reservas, mas é um cara sensacional fora de campo.”

Treinos

“Os treinos eram intensos e na parte da manhã. Não existe essa de ‘colocar o pé mais ou menos’. Se fizer isso, capaz de sofrer uma lesão ou um trauma porque ele te puxa ao máximo. Ele exigia chegar antes bem antes dos trabalhos e se preparar porque explicava como seria a atividade do dia. Antigamente no Brasil o pessoal tinha o costuma de chegar cerca de 10 minutos antes. Ele é muito detalhista, estuda os adversários e vê muitos jogos. O Jesus conversa muito com os atletas durante os treinos e te dá tudo bem mastigado do que deseja que você faça.”

Convencimento

“Ele não te fala: ‘Faça isso ou não faça aquilo’. Ele te mostra no dia a dia e trabalha a equipe como um todo e vai te mostrando o caminho. Você acredita muito porque ele te mostra dados. Jesus conversa com a equipe toda, que vai entendendo o processo. Os jogadores olham para um treinador e sabem se aquele cara entende do que está falando e se vão comprar as ideias dele.”

“Ele não trata ninguém com diferença e não dá privilégios. Ele trabalha os titulares e os reservas da mesma forma. Algumas vezes dá até mais atenção aos que não estão jogando. Quando o reserva entra em campo, ele não corre em posição errada ou destoa do resto do time.”

“O jogador não tem tempo de pensar em horário livre. Ele consegue colocar na sua cabeça que é preciso estar bem no outro dia para treinar ou para jogar. Descanso também é treino. Se perder uma noite vai influenciar porque a parte física é importante. Essa cultura não tínhamos no Brasil anos atrás, mas isso está mudando.”

Ele muda o que não funciona

“Ele chega mudando as coisas que acha que não irão funcionar no contexto dele. Ele coloca as ideias dele não somente na parte tática, mas também na parte comportamental no ambiente de trabalho com o grupo. Quem não segue terá problemas. Ele está atento a tudo, vê todos os detalhes do ambiente que o cerca e faz questão de entender tudo. Ele sabe até quais são os repórteres que fazem tal pergunta…”

Blog com ESPN

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